quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sai sem o passaporte

Eu estava indo com meu hostbrother ajudar ele em um trabalho no norte da cidade. Pegamos a rodovia mais rápida. Como estava muito tarde e queríamos terminar logo, ele acelerou a camionete. 100 km/h, 115 km/h, 130 km/h, 150 km/h, 160 km/h …. é, estava bem rápido e bem acima do limite de velocidade. Então, como um flash, um coiote atravessa a estrada correndo, meu amigo grita, se assusta, desvia bruscamente. Minha cabeça bate no teto, logo depois estou em cima do meu amigo, bati a cabeça no teto novamente, começa a chover dentro do carro, meu banco se tornou um asfalto, o teto da camionete trocou de lugar com as rodas e vice-versa, e todos os demais carros da rodovia decidiram parar ao mesmo tempo. Eu não conseguia falar. Achei que fosse um daqueles momentos que meu cérebro demora pra processar tanta informação. Nem mesmo conseguia me impressionar com o fato da camionete estar virada de cabeça pra baixo, e eu estar ali do lado de for a observando. Não conseguia chegar na camionete…. eu andava, andava, e andava, mas parecia estar andando em uma esteira. Um carro da polícia chegou, mecheram dentro da camionete, e então o Tiago saiu dela, não parava de passar a mão na cabeça, e eu não conseguia gritar pra ele também. Ele dizia: “Não sei o número do seguro dele! Ele mora lá em casa, e nunca saiu sem passaporte! Hoje ele não pegou! Ele não está falando nada!” Então eu vi que ele entrou com eles no carro da polícia. Eu gritava para me esperarem pra sair dali. Finalmente consegui ir até o carro e entrar junto. Mas o Tiago estava em choque… não queria nem olhar pra mim. Chegamos em casa e ele saiu correndo pra dentro de casa, quando eu o alcancei dentro de casa, ele volta correndo com meu passaporte de novo, passa direto por mim, entra no carro da polícia e vão embora sem mim! Eu fiquei na rua fazendo de tudo para me verem pelo retrovisor, mas não pararam.
Quando voltava pra casa, ouvi a madrasta dele entrando correndo no carro, enquanto falava no celular desesperada que estava indo pro hospital imediatamente. Tinha uma árvore na minha frente, então só a vi partir aceleradamente com o carro. Ouvi ela falar algo a respeito de hospital, então tentei achar na lista telefonica onde que era o hospital mais próximo. Nesse meio tempo, eu comecei a sentir dores no peito. Eram como socos. Vinham num intervalo de tempo específico. Cada um fazia minha visão escurecer de tanta dor. Então vi tudo ficar branco. De repente, abri os olhos diante de uma equipe de médicos, uma sala de hospital, e eu mesmo deitado numa maca. Não tive controle sobre minhas pernas, quando as mesmas me conduziam até eu mesmo, imóvel naquela maca. Tudo escureceu, e senti abrir meus olhos. E lá estava eu, deitado, e todos contentes por eu ter acordado.

 

…”Estamos quase chegando já brother” Disse o Tiago.

- Ah, beleza…. viajei aqui.

É, era melhor eu ter pego meu passaporte, vai saber….