sábado, 5 de julho de 2014

Como tem sido tudo

Bom… meu tempo aqui está se esgotando… tenho apenas mais 50 dias e então tudo termina.
Quanto ao inglês, como todos dizem, apenas ao final de 6 meses que começamos a sentir alguma mudança relativa.

Se estou feliz aqui? Sim, até mais do que eu pensava que estaria. Se eu gostaria de viver pra sempre? Não sei.

Sabe, esse é o lugar perfeito pra mim. As únicas pessoas a que eu sou realmente apegado, são meus pais e minha irmã. Não cresci com amigos de longa data, e não cresci vendo os parentes com frequência. Ao contrário de muita gente, cresci aprendendo a desapegar das pessoas, aprendendi a “começar do zero” algumas vezes, tendo que simplesmente engolir a ideia de que não tinha ninguém pra me acompanhar em muitas fases boas de minha vida. Então mais essa grande conquista atual, estar sozinho não foi problema, nem seria caso eu quisesse tocar minha vida aqui. Pois é o que todos os brasileiros daqui reclamam. Tenho fé em Deus, e sei que ele faz tudo com um bom propósito. Só tenho a agradecer sempre.
Apesar da vida que estou levando aqui, ser uma vida privilegiada a qual eu não preciso trabalhar para me manter, a vida que eu levaria trabalhando seria exatamente igual.

Aqui é tudo como eu imaginava em questões de qualidade de vida. Na verdade, mais do que qualidade de vida, aqui sim é viver como todos os seres desse mundo deveriam viver. Ao contrário do Brasil, aqui as pessoas têm segurança e saúde. Não por ter uma polícia extremamente bem equipada, mas por simplesmente pela cultura de todos aqui. A base de todos aqui está na criação, educação e honestidade sempre. A polícia é bem equipada, não por ter muitos crimes, mas simplesmente porque o que os cidadões pagam de imposto aqui, realmente é distribuído para a infraestrutura da cidade. Tem corrupção, claro que tem, mas são pequenos escândalos que abalam uma vez ou outra a sociedade nas grandes cidades, como Toronto por exemplo.
Aqui eu posso sair tranquilo na rua, sem medo de me matarem de noite, posso comprar minhas coisas tranquilo sem medo de chamar a atenção, posso me vestir bem e andar tranquilo por onde eu quiser. As vezes que minhas coisas chamaram atenção alheia, as pessoas chegaram até mim, e elogiaram. Seja a estampa da camiseta, seja o case do celular, se roubaram algo de mim, foi um sorriso.
Claro que existem excessões. Tem casos de roubo aqui sim, mas a polícia pode contar nos dedos quantas vezes por mês tem alguma ocorrência. Tudo bem que estou generalizando baseado em Calgary, mas fui a Toronto, uma cidade algumas vezes maior que Calgary, e ainda assim todas as pessoas são tão educadas e felizes quanto as em Calgary. Todo mundo está feliz com a cidade. O transporte, segurança, educação e saúde funcionam extremamente bem, não tem do que reclamar. Quase todo mundo tem uma vida estável. Quem não tem, é por questões de gestão das finanças particulares.
Em termos de poder aquisitivo, o que eu recebia no Brasil, é o salário mínimo aqui. Com esse salário, daria pra pagar um aluguel em um apartamento bem moderado, ou dividir uma casa com alguém, pagar as contas entre internet, luz, água, gás, telefone, e mercado, e ainda comprar um carro como um Honda civic por exemplo. Essa é a vida de um solteiro que trabalha fazendo café aqui, ou lavando louça, trabalhando 44 horas semanais.
Não quero levar por lado do que eu posso ter aqui e o que não posso ter no Brasil. Quero apenas deixar evidente, que esse sujeito, o qual não é louco de criar uma família ganhando apenas isso, tem qualidade de vida. Ele vive tranquilamente em paz e confortável, como todo mundo merece.
ENFIM…
Porque não estou certo a respeito se viveria aqui pra sempre? Porque minha natureza me chama para onde eu nasci. É uma bela de uma bosta de realidade do Brasil, mas é o local de onde eu vim. Eu sinto falta da comida, sinto falta de conhecer pessoas com facilidade, sinto falta de conversar na minha lingua com pessoas estranhas na rua e fazer amizade.
Aqui eu posso ter tudo isso, posso me adaptar e aprender definitivamente o inglês e sair falando com todos tranquilo, mas não agora. Essa minha estadia por 6 meses aqui, vai me ajudar muito futuramente quando eu tentar voltar pra cá, mas mesmo pensando numa futura volta pra cá, eu já penso que será temporariamente de novo. Que seja 4 ou 5 anos. Que seja pra fazer um mestrado, especialização, trabalhar por um curto prazo… Sempre que penso nisso, a porcentagem dos meus pensamentos que consideram tocar uma vida inteira aqui, são 20%

Esse tempo que estive aqui, me fez dar mais valor ao Brasil. Não sei bem ao certo o que é, mas estou percebendo que tenho um certo carinho por ele. De fato, é um ótimo país, porém com as pessoas erradas no comando. Se tivesse a estrutura política que um país desenvolvido tem, com muita certeza seria um dos melhores lugares pra se viver no mundo, senão o melhor!

O problema é; Eu não consigo imaginar criar uma família nas condições atuais do Brasil, enquanto podemos ter um lugar muitas vezes melhor para o fazer. Seeeee eu tiver filhos, eu gostaria que pelo menos eles nascecem em um país tão bom quanto o Canada. Pra depois, eles terem as portas do mundo aberta pra eles. É muito frustrante querer conhecer  mundo, e ter dificuldades de se locomover pelo simples fato de você ter nascido em um país com má reputação.

Eu realmente não consigo nem imaginar o que será de mim depois que voltar para o Brasil. Minha cabeça está totalmente mudada. Então, como sempre, sei que minha vida está nas mãos de Deus, que seja feita a vontade dele. Tenho meus planos já conformado com o “não”. Agora só falta tentar.

Um comentário:

  1. Oi, Ph! Tempo que não nos falamos.. Parei aqui no seu blog por acaso, e dei uma lida sobre suas impressões de viver fora. Deve estar sendo uma experiência incrível e fico muito feliz por você. :)

    Me identifiquei totalmente com esse sentimendo de não pertencer a algum lugar ou a muitas pessoas. É uma sensação de liberdade, mas ao mesmo tempo acho que parte de nós sempre busca por algo que nos enraíze. É da natureza do homem, eu acho, querer fixar-se e deixar seu rastro, sua história, em algum lugar.

    Nunca morei ou até mesmo visitei outro país, mas sou convicta de que, apesar de tudo, eu nasci no lugar certo. Aprendi a amar meu país e suas nuances, seus defeitos, suas lacunas e com certeza tenho muita fé de que a tendência são as coisas melhorarem. Talvez seja uma visião ingênua e apaixonada, mas prefiro acreditar nela. Com certeza a ideia de viver num lugar mais desenvolvido, com mais possibilidades, se projeta constantemente nos meus planos, mas sempre que imagino um fututo mais distante, é aqui aonde retorno.

    Eu realmente acredito que no fundo, todo brasileiro nasce com um sentimento de pertencimento, de identificação, mesmo com toda a frustração decorrente da nossa política, dos nossos sistemas falidos, da aculturação, e por aí vai..haha.

    Desejo bons últimos dias aí para você. E pode ter certeza que mesmo a gente odiando esse país, ele sempre vai estar de braços abertos para nos receber! ;)
    Beijos e tudo de maravilhoso pra ti.
    Ray.

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