quinta-feira, 30 de outubro de 2014

História de bêbado

Essas histórias vêm deste que vos escreve. Sim… Já fiquei bêbado (3 vezes na vida).
Só tem um porém, eu não fico dando vexame, e lembro de TUDO, sempre de tudo (como se eu ficasse bêbado com frequência). Obviamente não me orgulho disso, detestei me encontrar nessa situação quando aconteceu, mas de certa forma é história pra se contar. Não me arrependo das coisas que faço. Me arrependeria se eu tivesse feito alguma besteira.

Os primeiros sintomas de que estou bêbado:
- Atraso na recepção de imagens no cérebro. É um atraso engraçado e preocupante ao mesmo tempo. Se estivermos bebendo um dia, e você me ver olhando bem rápido para os lados, é porque certamente estou curtinho o primeiro “baratinho” que o álcool causa no cérebro. É interessante observar que eu viro a cabeça mais rápido do que a imagem chega em meu cérebro. É algo muito rápido, mas dá pra perceber porque dá tontura.
- Mundo balançando. Parece que você está em um barco em uma maré calma, mas ainda sente aquele “balanço”.
- Risos com mais facilidade.
- Fico falante, como se tivesse tomado energético.
- Sou capaz de dançar.

Como eu disse, apenas 3 vezes na vida. Sendo a primeira em Aracaju, com 18 anos, seguido de um “Nunca mais vou fazer isso”.
E as outras duas (nunca diga “nunca”), em Calgary.

Vou contar apenas uma das histórias… Se tiver pique para escrever sobre as outras, eu escrevo.

Tudo começou, com o aniversário de um amigo brasileiro, que quis comemorar em uma das maiores baladas da cidade, chamada Cowboys. Eu nunca tinha ido lá, e foi a segunda vez na vida que fui em uma balada.

Combinei de ir junto com um outro amigo brasileiro, o qual é praticamente movido a álcool. E aí começa a “desgraçalhar” tudo. Foi uma mistura de “estou no Canadá” e “que se foda”, que me fez entrar na onda do parceiro.
Ele dizia ter a fórmula perfeita pra ficar BÃO na festa. Confiei nele e “vamos ver no que dá samerda”.

No Canadá, não pode ingerir bebida alcólica na rua… MÃÃÃÃss, E se ninguém ver? Aiai viu… Ele era mestre em fazer aquilo. O esquema foi ir em uma loja de bebida, compramos cada um uma garrafinha de vodka, que deve ter uns 200 ml, e uma latinha de energético. Depois fomos a um mc donald’s, compramos refrigerante, e bebemos tudo. Antes de entrar no trem, ele foi até um canto, e misturou as vodkas com os energéticos dentro dos copos do Mc donald’s. E aí fomos bebendo dentro do trem até a balada. Em razão da primeira bebedeira de minha vida, eu ter passado mal, eu não suporto o cheiro daquela mistura. Então bebi um pouco mais da metade só, e o aniversariante me fez o favor de terminar o que eu ia jogar fora.

Cheguei lá e queria tirar aquele gosto da boca, então comecei a tomar cerveja. Estratégicamente, levei pouco dinheiro para não beber muito lá dentro. O problema, foi que um outro amigo chegou lá com o sorriso de uma orelha à outra, cheio de dinheiro que tinha acabado de ganhar no cassino local. Começou a pagar rodadas e mais rodadas de cerveja e tequila. Eu poderia ter me controlado e não ter bebido toda hora? Sim, mas se eu estivesse normal.
Eu estava bem alegre kkkkkkkk Muita gente da escola estava lá, então foi algo bem divertido. Certas cenas acredito que nunca sairão da minha cabeça. Como o “sanduíche” que fizeram com a gordinha suíça, e fizeram ela se soltar kkkkkkkk ou a moça feia que chamei pra dançar. Naquela noite, me disseram que dancei com a mais bonita e a mais feia da festa XD Não que eu tenha saído dançando com todas por lá. Foram só três. Eu estava parado, e minha amiga me disse que a canadense queria dançar comigo, mas ela ia me ensinar antes. Me ensinou e mandou eu chamar a branquela pra dançar. Dancei com ela, e depois dancei com a feinha. Só.

Então no final de tudo… 2 da manhã fecha tudo lá. Saímos, e meu amigo que foi comigo, estava muuuuuuito bêbado. Saía falando com todo mundo, em português, inglês, e com sotaque de italiano.
Fomos esperar o trem, porém, incrívelmente ele lembrou que eu havia esquecido de pegar a jaqueta no guarda-volumes. Ele voltou comigo lá, peguei ela, mas perdemos o trem. Tivemos que esperar um tempão o outro. Porém, em um piscar de olhos, eu já estava capengando de sono no banco da estação, e meu amigo deu um tapão do meu peito e chamou pra entrarmos no trem. Depois daquilo, mais um piscar de olhos, uma confusão, e uns gringos rindo de nós.
Eu:  Que merda que você está gritando aí ôh!?
Ele: Os caras ali rindo da gente.
Eu: Porque a gente está dormindo e você nem sabe porque está bravo.
”Próxima estação, 4th street station”
Eu: Ih caramba Filipe, acho que estamos indo pro norte! (Morávamos no sul)
Ele: Não, pegamos o trem do lado certo, eu vi.
Eu: Eu sei, eu também vi. Juro que pegamos do lado certo.
”Próxima estação, 7th street station”
Eu: Nooooossssa mano! Estamos indo pro norte!
Ele: Mas que merda véio! Como isso?! Tem como não!
Eu: Vamos logo, que sei lá como também isso foi acontecer. vamos aproveitar, e entrar no Macs (Loja de conveniência 24h com cachorro quente delicioso por 2 dólares).

Chegamos na loja, e vi a cena mais cômica da noite.
Meu amigo bêêêêêbado, tentando abrir a porta do lugar empurrando ela, e enquanto obviamente ela não abria, chegou outro bêbado da rua, todo esculhambado,viu ele lutando contra a porta e disse algo como “que merda!”, achando que estava fechado. Eu parei de rir, fui lá, e puxei a porta. Foi como abrir as portas da felicidade para aqueles dois. Mas não tinha o cachorro quente sagrado.

Pegamos o trem certo de volta pra casa, já mais orientados. Chegando na nossa estação, olhei o painel dos ônibus, e o primeiro do dia, ia chegar às 5:12. Que horas eram? 5 horas!!! O que fizemos tanto entre as 2 e as 5?! Mistério. A nossa única teoria para esse buraco no tempo, é que pegamos o trem certo na primeira vez, porém quando ele chegou na nossa estação (a ultima do sul), ele voltou para o norte com a gente lá dentro ainda. Única teoria.
Mas continuando… teoricamente eu estaria em casa às 5:30. Se não tivesse acordado dentro do mesmo ônibus ainda, às 6:30! Com a testa toda amassada e somente eu no ônibus, eu não fazia ideia de onde estava. Aos poucos fui identificando os lugares, e bem em cima da hora percebi que estava chegando na minha rua. 6:45 da manhã entrando em casa em plena manhã de sexta-feira… Claro que não fui nas primeiras aulas daquele dia.

“Vamos registar o momento”
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Obrigado pela paciência

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