terça-feira, 4 de novembro de 2014

Fim da linha, destino e escolhas.

Talvez você não saiba quem é Wagner Piske. Eu também não o conhecia.
E eu poderia falar sobre muitos outros casos, mas o dele repercutiu muito na minha rede de amigos. 1376333_775665155812397_5241906428443811971_n

Ele era o tipo de pessoa que você não consegue imaginar que ia terminar a sua missão aqui na terra tão rápido. Um cara de 28 anos, popular, reconhecidíssimo pelo o que fazia, e muito amado.

Palavras de sua namorada, Eliz.

“Eu e o Piske estávamos no nosso segundo dia de passeio pelo Rio de Janeiro. A gente sempre gostou de uma aventura e resolvemos fazer a trilha da Pedra da Gávea. Pois bem, depois de 2 hrs e pouco chegamos lá no topo.... Foi aquela sensação de dever cumprido, imagina... QUE TRILHA!! Foi tudo bem na ida, fizemos algumas paradas, tomamos água, revezamos a mochila.. Chegamos na famosa pedra, estávamos só nós dois.. tiramos a roupa, estávamos suando, pingando na verdade. Tomamos mais água, comemos umas bananas, descansamos, demos umas risadas e tiramos algumas fotos (imagem a seguir). Depois de um tempo lá em cima nos aprontamos para descer a trilha. Ficou combinado que no primeiro trecho da volta eu levaria a mochila, e ele levaria na segunda parte. Começamos a descer, Piske na frente, e eu atrás, como uma fila de índio. Depois de uns 10 minutos de caminhada da volta, chegamos num trecho mais complicado, que tem bastante pedra (já havíamos passado por esse trecho para subir), e que se chama Carrasqueira (vim a saber desse nome só depois). Por sorte, tinha um grupo de rapazes que estavam subindo esse trecho da trilha nesse mesmo momento, o Piske até trocou algumas palavras com o cara que estava tentando subir, a distância não era grande. Foi uma fração de segundos enquanto estávamos descendo a Carrasqueira quando o Piske escorregou ou tropeçou (e eu falo assim porque eu REALMENTE não vi o que aconteceu com o PÉ dele), e rolou por uma distância de mais ou menos uns 10 metros, e foi “parado” por uma pedra que tinha ali no caminho. Ele deve ter “rolado” umas duas vezes antes de parar/ bater na pedra “final”.” …
…”ele teve um traumatismo crânio encefálico e diversas fraturas no crânio, e faleceu na hora, sem dor.”

Foi algo me me fez chorar nesses dias. Não choro para cada morte que fico sabendo, mas ler essas coisas, faz com que eu me coloque no lugar da pessoa. Faz a gente saber o quão frágeis nós somos, e sentir que damos menos valor às nossas vidas do que deveríamos dar.

Às vezes me pego preocupado demais com o meu futuro. Muita gente faz isso. Porém, é um contra-senso para quem acredita em destino. Pra mim, escolhas e destino são coisas que andam juntas. É meio difícil entender. Acho que somos destinados a certas coisas. Tomamos decisões agora, pois o destino precisa delas.
Não só o Piske, como todo mundo que o conhecia, jamais imaginava que tudo iria acabar assim. E se a gente se preocupa com uma coisas dessas, quem vai conseguir viver em paz?
O Piske teve sua missão concluída. Graças a ele, muitas coisas aconteceram na vida de muitas outras pessoas, pode ter certeza.
Ele passou a vida inteira fazendo escolhas, e deixando a vida o levar, para um único destino.

Nos meus 16 anos, eu ganhei uma amiga. Nossa amizade foi se desenvolvendo, e eu sentia aquele clima. Todos do grupo sentiam. E eu não sabia bem o que fazer. A amizade era muito boa, e eu não queria que algum sentimento mais forte se desenvolvesse, pois eu não queria estragar a amizade caso não desse certo, e eu não tinha certeza se eu estaria naquela cidade ainda até o final do ano. Eu não queria me permitir ficar apaixonado por ela, e mexer com os sentimentos dela sem ter certeza de que eu poderia dar continuidade. Então, um belo dia, uma amiga dela (irmã de criação), me questionou sobre o porquê eu não tomava alguma atitude, e disse que ela estava apaixonada por mim e sofrendo por eu não fazer nada. Aquilo me destruiu por dentro. Expliquei pra ela, e acabei mudando o sentido da amizade. Minha amiga, obviamente sentiu, e me questionou o que estava acontecendo. E eu falei para ela tudo.
Nossa amizade nunca mais foi a mesma. E quanto ao meu medo de se eu estaria lá no ano seguinte… bem, estive lá por mais 3 anos. As coisas poderiam ter sido diferentes se tivéssemos tentado algo? Sim. Quem sabe até mesmo eu não teria saído daquela cidade. Mas a minha escolha foi a que deveria ter sido feita. Eu não mudei minha história, apenas fui usado para mantê-la.

Nesse ultimo domingo, voltei a andar de bicicleta. Andei aproximandamente 15 kilômetros. E não senti nenhum perigo. Porquê eu estava a tanto tempo sem andar? Bem, nas primeiras vezes que eu andei de bicicleta em Jundiai, eu passei por mais “quase atropelamentos” que em toda a minha vida andando de bicicleta. Senti muito medo de andar de bicicleta. Porém, nesse domingo era a única coisa que poderia me dar o que eu precisava. E andei tranquilamente. As pessoas estranhavam quando eu dizia fazer quase 2 anos que não andava. Eu adoro bicicleta, e realmente sentia falta. Mas acredito que tudo conspirou para que aqueles motoristas quase me atropelassem, e me dessem tanto medo a ponto de desistir de andar. Eu realmente me sentia invisível na rua, de tão perigoso que era. Se quer via reação de susto dos motoristas. Será que teria acontecido algo que mudaria o curso das coisas se eu tivesse andando nesse tempo que fiquei parado? Conheço vários exemplos que deu pra ver o que teria acontecido se alguém tivesse feito tal coisa.
Meu pai mesmo, já quase morreu muitas vezes. Só está entre nós até hoje, pela vontade de Deus mesmo. Ele tem histórias dignas de cenas de filmes de ação. Já aconteceu de um senhor morrer no lugar dele, após trocarem de lugar em um veículo. Esse senhor terminou sua missão, e permitiu que meu pai continuasse a dele. Se não fosse ele, eu nem teria nascido. O Piske foi na frente da namorada, e escorregou onde poderia ter sido ela. Um dia eu atravessava uma avenida distraído, e um ciclista veio do além, passando por mim rapidamente, e no segundo que eu parei para olhar para ele indo embora, passou um ônibus tirando fina de mim. Pra mim, aquele ciclista foi um anjo.

Parte dessa minha filosofia de vida, me fez desenvolver certas coisas como mais amor ao próximo, e me satisfazer com pequenos detalhes da vida.
Em Calgary, onde tive contato com muita gente, ouvi muitas vezes que eu era um cara que estava sempre sorrindo. Às vezes até me perguntavam o que havia acontecido que eu estava sorrindo, rs. E o fato é que a cada dia ganho, já é um motivo para sorrir. Tomei mais gosto por chamar alguém pra sair, e me propor a pagar a conta. Presentear alguém com alguma coisa que vi e me fez lembrar da pessoa. Fazer companhia a alguém sem se preocupar para onde vai, mas só para passar o dia conversando. São coisas da vida.

Eu poderia ter feito muita coisa ao contrário. Poderia ter pensado muito mais em mim, e que se danem os outros.
Ter aceitado aquelas ordens desonestas, e conseguido o cargo de chefe. Ter deixado aquele pobre coitado pedindo dinheiro na rodoviária até só Deus sabe quando. Ter prometido amores que eu não podia dar. Não ter perdoado aquela “traição” de um dos meus melhores amigos hoje.

Mas como diz o escritor Ique Carvalho; onde está a vida e o amor?

Obrigado pela paciência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário